Território Vivo. Cinema Sustentável: A Urgência da Descentralização e da Autonomia Produtiva
A 3ª edição do Fórum Audiovisual dos Interiores da Bahia eleva o debate para um patamar de urgência política e autonomia estratégica com o tema: “Território Vivo. Cinema Sustentável”.
Se as edições anteriores—em Vitória da Conquista e Ipiaú—firmaram o audiovisual como um “Território Cinema” a ser reconhecido e fomentado, agora, em Iraquara (Chapada Diamantina), nos dias 05 a 09 de novembro de 2025, o desafio é consolidar a perenidade dessa produção.
O tema é um manifesto contra a histórica concentração de poder e recursos. Ao reivindicarmos o cinema sustentável, estamos defendendo que:
A sustentabilidade como política de fomento: Um ecossistema audiovisual só é sustentável quando as políticas públicas (estaduais e federais) garantem a descentralização efetiva e duradoura. Isso passa pela implementação de cotas territoriais rigorosas em editais, pela alocação estratégica de recursos da Bahia Filmes para o interior, e pela criação de infraestrutura de exibição e difusão em cada Território de Identidade.
Território Vivo é Economia Criativa forte: Os interiores não são apenas locações; são centros de produção e inovação. O cinema sustentável exige que as cadeias produtivas locais sejam fortalecidas—da formação técnica à captação de recursos privados através de leis de incentivo—transformando a cultura em um vetor robusto de desenvolvimento socioeconômico e geração de renda em comunidades historicamente marginalizadas.
Narrativas Livres e diversas: A sustentabilidade mais profunda reside na capacidade de nossos territórios narrarem suas próprias histórias, sem a tutela ou a homogeneização dos grandes centros. É imperativo financiar a produção que reflete a diversidade cultural e identitária, garantindo que as vozes indígenas, quilombolas e populares sejam a força motriz e não apenas o objeto de nosso cinema.
O Fórum de Iraquara é, portanto, um ponto de inflexão. Convocamos realizadores, gestores públicos e a sociedade civil para articular, em conjunto, a Carta de Iraquara, um documento que irá exigir metas claras e mecanismos de fiscalização para que a política do “Território Vivo” se concretize na prática.
Venha debater e construir as bases para um futuro onde o cinema do interior da Bahia é autônomo, potente e irreversível.



