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06/11/2026
Fórum Audiovisual dos Interiores inicia etapa presencial em parceria com o Festival Sertões Inundados
Mais de cem realizadores de diferentes territórios da Bahia e de outras regiões do Brasil participam dos dois eventos até este próximo domingo (8). A abertura institucional foi marcada pela exibição do filme “A Cachoeira”, de Rayssa Coelho e Filipe Gama, na noite desta quinta (5).
A história que começou no Sudoeste Baiano, em 2023, e ganhou novos capítulos no Médio Rio de Contas e na Chapada Diamantina, em 2025, chega agora ao Raso da Catarina, no extremo norte da Bahia. Nesta quinta-feira (5), teve início em Paulo Afonso a etapa presencial da quarta edição do Fórum Audiovisual dos Interiores da Bahia. No território banhado pelas águas do Velho Chico, o evento se junta ao 2º Festival de Cinema Sertões Inundados, propondo um convite aos participantes para semear novas narrativas, nutrir o crescimento de realizadores do interior e fortalecer, a partir do solo baiano, uma rede nacional em defesa da produção audiovisual desenvolvida fora dos grandes centros urbanos.
Ao todo, mais de cem pessoas de diferentes cidades da Bahia e de outras regiões do pais participam do Fórum até este próximo domingo (8). A maioria veio reunida em caravanas oriundas de Ilhéus, Vitória da Conquista e Feira de Santana. Logo após a chegada, ganharam um presente: uma visita técnica pela chamada Rota do Cânion, conduzida pela Espelho Lunar, produtora responsável pelo Sertões Inundados. O tour é uma das atividades que integram a programação do festival. O evento começou nesta quarta (4), um dia antes do Fórum AVI, contando com exibições de filmes, roda de conversa, masterclass e oficina. Ao longo dos próximos dias, segue com outras ações de formação, debate, networking e difusão audiovisual.
Segundo Clara Campos, diretora da Espelho Lunar, o festival surgiu como uma resposta à carência de Paulo Afonso por ações culturais voltadas ao audiovisual. O nome é uma homenagem aos territórios inundados pela construção de barragens hidrelétricas na região do Rio São Francisco. “Aqui existe um cemitério de cidades inundadas. Muitas comunidades perderam tudo, suas histórias, sua identidade e cultura. Vários costumes se perderam também diante desse grande genocídio cultural”, explica a realizadora. Dessa forma, o evento se torna uma forma de preservar essa memória e “criar redes pra que a gente possa se fortalecer e formar uma grande teia no interior da Bahia e do Nordeste”, ressalta.

A abertura institucional do 4º Fórum AVI e do 2º Festival Sertões Inundados aconteceu no Cine Xtreme, em Paulo Afonso.
Ainda de acordo com Clara, toda a programação desta segunda edição do evento foi planejada para que dialogasse diretamente com as atividades do Fórum, sem se sobrepor umas às outras. “Queríamos realmente que fosse uma coisa integrada. Pra gente é uma felicidade muito grande trazer o Fórum pra Paulo Afonso e receber mais de cem pessoas de diferentes territórios em nossa cidade. A ideia é justamente que a gente possa se unir e se fortalecer para, assim, conseguir manter os festivais de cinema, as políticas públicas para o audiovisual e lutar, cada vez mais, pra que a gente consiga uma distribuição mais equitativa dos editais e das ações de fomento”, afirma.
A abertura oficial do Fórum e do Festival aconteceu na noite desta quinta (5), no Cine Xtreme, marcando também o início das mostras “Outros Sertões” e “Sertões Inundados”. O filme “A Cachoeira”, de Rayssa Coelho e Filipe Gama, abriu a sessão. Gravado em Paulo Afonso e produzido com o apoio de profissionais locais, como Clara e sua sócia, Bianca Bomfim, o curta-metragem documental apresenta imagens de arquivo e entrevistas que exploram o imaginário em torno da Cachoeira de Paulo Afonso, um conjunto de quedas d’água formado pelo Rio São Francisco que, ao longo dos séculos, foi transformado pela intervenção humana.
Essa foi a primeira vez que o filme foi exibido no município. Para Rayssa, a obra tem relação direta com a parceria construída com Clara e Bianca a partir dos encontros promovidos por espaços como o Fórum Audiovisual dos Interiores da Bahia. “Clara e Bianca passaram a integrar a programação do Fórum desde a edição passada. Então, transitar aqui por Paulo Afonso já era uma coisa muito estratégica pra nós. A gente não tinha vindo ainda para esse território de identidade. Então, poder fazer isso e ainda estrear um filme que produzi junto com elas e com pessoas de outros territórios é pra mim uma confirmação do quanto a criação e o fortalecimento das nossas redes nos proporcionam encontros muito positivos que culminam em situações que poderiam ser vistas como coincidência, mas que na verdade são fruto de muita articulação, de muito trabalho e mobilização entre quem está de movendo, se conectando e construindo pontes nos interiores baianos”, pontua.

Nesta quinta (5), Rayssa também ministrou uma Oficina de Produção Executiva no Audiovisual durante a programação do Fórum e do Festival.
Coordenadora de Formação e Programação do Fórum, Rayssa destaca ainda o quanto a integração com o Festival Sertões Inundados enriquece a experiência do público que participa de ambos eventos. “A gente consegue, até mesmo na exibição de um filme como ‘A Cachoeira’, exemplificar o quanto é possível fazermos conexões a partir do momento em que a gente se lança no mundo para conhecer pessoas que são tão diferentes, mas tem interesses tão iguais. Filmes como esse encontram telas e essas telas fazem com que os filmes encontrem pessoas. No caso do Fórum, a gente encontra agentes culturais do setor audiovisual e a gente faz com que essas pessoas também encontrem oportunidades”, finaliza.

